quinta-feira, 3 de setembro de 2009

“A Influência da Dança do Ventre na Imagem corporal das mulheres praticantes”.


A sociedade contemporânea levou a mulher a desconstrução da sua identidade feminina. Além dos diferentes papéis que lhe são impostos, a mídia destaca um ideal de mulher que para a maioria está distante de ser alcançado. Muitas atividades físicas e até mesmo a moda, apontam para um perfil estético que distorce a imagem do corpo feminino. Essas questões geraram a necessidade da mulher buscar uma alternativa que a auxiliasse no reencontro com o seu eu-feminino.

A dança oriental egípcia, a dança do ventre, como conhecemos no Brasil, é uma técnica de expressão corporal e artística, que permaneceu através dos tempos, encantando pelo seu exotismo e beleza, mas também pelos benefícios trazidos as suas praticantes. Por ser uma dança extremamente feminina e pela sua origem ritualística, trabalha aspectos profundos da psique, resgatando o feminino primitivo, fundamental para a mulher contemporânea.

No processo de busca do equilíbrio entre as aspirações profissionais e matérias com o bem-estar individual, as técnicas orientais vêm crescendo na preferência do público por tratarem o indivíduo de forma holística (corpo e mente).

As praticas corporais orientais de tradição milenar, e, entre elas, a dança do ventre, trabalham pela respiração e movimentos pélvicos, o equilíbrio das energias através dos chakras, proporcionando uma séria de benefícios físicos e emocionais, inclusive com a prevenção de doenças psico-somáticas.

De origem remota, a Dança do Ventre é proveniente do antigo Egito, surgida há 7.000 anos a. C. Segundo a autora do livro, Dance e Recrie o mundo, Luccy Penna (1996), na sua origem, esta dança tinha uma conotação sagrada, era realizada em Templos em rituais secretos só de mulheres, com o objetivo de reverenciar a deusa Ísis, arquétipo da Grande–Mãe, que dava forças e preparava as mulheres para a gestação e para o parto.

As atribuições artísticas dessa dança só foram agregadas a mesma após a invasão árabe ao território egípcio, misturando as tradições e culturas dos dois povos. A Dança do Ventre atravessou o tempo, agregou características de outras danças, modernizou-se, mas os movimentos característicos dos rituais primitivos e seus benefícios para a mulher só se fortaleceram. Por isso, essa dança milenar continua a ser procurada e desvendada por mulheres do mundo todo em pleno século XXI.

Por ser uma dança inclusiva, pode ser praticada por mulheres de todos os tipos físicos e faixas etárias. Entre os benefícios físicos e emocionais que esta prática proporciona, destacam-se a melhora da postura, a motricidade, o raciocínio e a coordenação. Trabalha de forma lúdica diferentes cadeias musculares, modelando o corpo, afinando a cintura e deixando-o mais feminino. Através dos exercícios pélvicos proporciona uma melhora do metabolismo e uma sensação de bem-estar.

Para identificarmos as influências da Dança do Ventre na imagem corporal de suas praticantes, precisamos entender, através de revisão literária como se dá a sua construção. Entende-se, assim, por imagem do corpo humano a figuração de nosso corpo, formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós. De acordo com o autor do livro,

A imagem do Corpo – As energias construtivas da Psique, Paul Schillder, 1999, pode-se também chamar de imagem corporal, a imagem tridimensional que todos têm de si mesmo e esta deve ser desenvolvida e construída.

A imagem corporal é uma das experiências básicas na vida de qualquer um. É um dos pontos fundamentais da experiência vital. Em qualquer atitude, desejamos modificar a relação espacial do modelo postural ou do esquema do corpo.Os objetos que usamos, as roupas, as posturas corporais, os penteados que adotamos, alteram objetivamente a imagem corporal, assim como a limpeza e a higiene também. Os seres humanos são cercados por suas imagens corporais. O uso de objetos e roupas é motivado pelo desejo de superar a rigidez da imagem corporal. Outro fator a ser considerado sobre a formação da auto-imagem, é como os padrões de beleza, que são culturais e sociais,interferem na formação da imagem corporal. A mulher quando percebe que seu corpo não está ajustado ao ideal do corpo feminino, ma medida em que é internalizado, torna-o indiretamente responsável por sentimentos de culpa, frustrações e pelo aumento da ansiedade segundo Luccy Penna (1989).

Toda a emoção modifica a imagem corporal, de acordo com sentimentos o corpo se retrai e expande. A experiência do movimento, e principalmente da dança, leva o ser humano a descobrir-se emocionalmente e com isso descobrir a sua imagem corporal também (SCHILDER, 1999 ).

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